¿No posee una cuenta?
Entre a curva da invisibilidade e a ladeira da exclusão: ser criança, brincar e resistir
Gabriela de Freitas Xavier.
33º Simpósio Nacional de História. ANPUH - Associação Nacional de História, Belo Horizonte, 2025.
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Resumen
Este artigo destaca a participação ativa de crianças, adolescentes e jovens da região do Porto
do Capim, uma comunidade tradicional ribeirinha e urbana, analisando-os como atores
políticos, sociais, culturais e sujeitos de direitos engajados na defesa de seu território, a partir
de uma gincana cultural. Localizada às margens do rio Sanhauá, no bairro do Varadouro, em
João Pessoa, o Porto do Capim, é uma região historicamente significativa - considerada o
“berço” da História da Paraíba -, marcada por disputas territoriais, processos de exclusão e
invisibilidade social, sendo constantemente alvo de projetos de “revitalização” que
desconsideram as relações afetivas de seus habitantes com o espaço. A partir da década de
1930, a reestruturação urbanística da cidade de João Pessoa relegou o Porto do Capim a uma
condição periférica. Nesse cenário, as crianças da comunidade cresceram e crescem inseridas
em uma dinâmica de luta por permanência. Aos poucos, a região vem ganhando força no
cenário local, e até nacional, através de ações que visam impulsionar políticas públicas voltadas
para o bem-estar de um povo que, ao longo de décadas, enfrenta desafios e pressões por parte
do poder público local e da sociedade em geral, sofrendo com a discriminação e a exclusão
através de frequentes projetos de transformação ambiental que ameaçam a permanência dos
moradores. A gincana cultural, realizada em 2022 e novamente em 2024, foi promovida por
lideranças comunitárias com o objetivo de atrair jovens para atividades voltadas para o turismo
comunitário e a defesa do território. Por estar realizando visitas enquanto pesquisadora que
estuda as (e com as) crianças do Porto do Capim, fui gentilmente convidada a ser jurada pelos
organizadores. Apesar de não serem o foco do evento, ao descrever algumas tarefas durante a
gincana cultural, pretende-se enfatizar a participação ativa das crianças menores de 13 anos,
demonstrando sua agência e capacidade de transformação do espaço ao seu redor, através de
desafios propostos pelo exercício lúdico-cultural que caracteriza uma gincana. Dessa forma,
busca-se problematizar o ponto de vista de crianças inseridas numa participação específica,
chamada “café-com-leite”, que através do brincar contribuem para fortalecer a defesa do
território ribeirinho e a promoção do turismo de base comunitária. Sob a ótica metodológica,
vem sendo feitas visitas exploratórias ao local desde maio de 2024, acionando técnicas como
observação participante, entrevistas e conversações, além de pesquisa documental e
bibliográfica.
Palavras-chave: criança; gincana cultural; comunidade ribeirinha.
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