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Infâncias e primeiro-damismo no Brasil: gênero e tempo presente (2016-2023)
Silva, Bruno Sanches Mariante - Universidade de Pernambuco.
6tas Jornadas de Estudios sobre la Infancia, Buenos Aires, 2024.
  ARK: https://n2t.net/ark:/13683/ez2b/FY0
Resumen
Resumo Biográfico: Professor adjunto de História Contemporânea da Universidade de Pernambuco (UPE/Petrolina). Doutor em História pela UNESP (2018) e com estágio de pós-doutorado em História (UEM/2023). Coordenador do NUNTEMPA – Grupo de Estudos em História Contemporânea e do Tempo Presente. Temas de pesquisa: História do primeiro-damismo; políticas para infância e maternidade no Brasil republicano; história e representações de relações de gênero. Resumo proposta: A atuação das primeiras-damas brasileiras, historicamente, esteve associada às obras de filantropia e assistência social, práticas que tiveram grande repercussão social e política no Brasil ao longo do século XX. Frente a tal relevância, utiliza-se o conceito de primeiro-damismo (primer-damismo; first-ladyship) para designar os estudos e as análises a respeito das primeiras-damas, entendendo que essas personagens movimentam poderes políticos, sociais e econômicos (Simili, 2008; Silva, 2022). É, propriamente no século XX, sobretudo, a partir da década de 1940, que se consolida um modelo moderno de atuação das primeiras-damas, por meio da figura da primeira-dama Darcy Vargas e seu trabalho junto a Legião Brasileira de Assistência. É preciso destacar que as representações sobre as primeiras-damas e suas ações foram, especialmente, marcadas pela concepção de “maternidade pública” ou maternalismo, isto é, uma forma de entendimento sócio-política que parte do pressuposto que as características ditas femininas e historicamente construídas – entre elas maior ênfase para a maternidade como natureza feminina – permitem às mulheres uma inserção efetiva no ambiente público e no mercado de trabalho (MOTT, 2001; FREIRE, 2009; MARTINS, 2011). A historiografia brasileira tem, paulatinamente, se ocupado das trajetórias e ações de algumas primeiras-damas, tanto em âmbito nacional quanto nas perspectivas estaduais e municipais. Nesse sentido, a presente proposta de trabalho é pensada enquanto um esforço de reflexão sobre as relações entre o primeiro-damismo e as políticas e concepções para infância no Brasil nas primeiras décadas do século XXI, analisadas, contudo, pela perspectiva do tempo presente. Aqui estamos compreendendo o conceito de tempo presente para além da ideia da catástrofe ou das marcas e cicatrizes, queremos pensar o tempo presente como a noção de passados que não passam, a ideia de contemporaneidade do não contemporâneo, isto é, o passado incorporado ao presente (DOSSE, 2017). Tomando como fontes os jornais, revistas e mídias audiovisual, a proposta centra-se na análise dos discursos, projetos e ações desenvolvidas – ou apenas propostos – pelas três primeiras-damas mais recentes da história do Brasil: Marcela Temer (2016-2018), Michelle Bolsonaro (2019-2022) e a atual primeira-dama Rosangela (Janja) da Silva (2023 - ). Janja já procurou demonstrar que recusa a utilização do título “primeira-dama”, pois considera retrógrado e patriarcal, e quer ser chamada apenas por seu nome. A escolha dessas três personagens da história política recente do Brasil dá-se não apenas pela questão temporal, uma vez que são as duas mais recentes ex-primeiras-damas e a atual, mas também – e sobretudo – pelo fato de os governos de seus maridos representarem três campos diferentes do espectro político brasileiro: Michel Temer, político de longa carreira parlamentar, vice-presidente da República (2011-2016), representa com maestria o espetro de centro no Brasil e tem sua trajetória marcada pelo golpe jurídico-parlamentar aplicado na presidenta eleita Dilma Rousseff em 2016. Jair Bolsonaro, também com longa atuação parlamentar, é um político que representa a extrema-direita do país; enquanto o atual presidente, Luís Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato presidencial, representa o campo progressista, vinculado à esquerda. De forma resumida, é possível evidenciar que Marcela Temer esteve à frente do programa “Criança Feliz” que consistia de visitas a residências com crianças de até 3 anos, e que faziam parte do programa federal de amparo “Bolsa Família”, estando, portanto, em condições de vulnerabilidade. Marcelo chegou a discursar sobre suas “qualidades de mãe”. Michelle Bolsonaro que é intérprete de LIBRAS por formação e frequentemente falou em favor da população surda do país, esteve à frente do projeto “Pátria Voluntária” que visava, sobretudo, atender crianças em situação de vulnerabilidade social, especialmente em razão da pandemia de Covid-19. Janja Lula da Silva ainda não desenvolveu um projeto próprio seu para a área social, atuando em diversos projetos do governo – a exemplo das campanhas de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes – e de organizações internacionais, como a Rede de Inclusão e Combate à Desigualdade da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) no Brasil. Contudo, não podemos deixar de mencionar que as atuações de Michelle Bolsonaro e Janja da Silva foram/são marcadas pela intensa articulação e participação políticas delas nos governos e campanhas políticas de seus maridos. Exemplo disso é que, tendo em vista a inelegibilidade de seu marido, Michelle Bolsonaro tem sido considerada como forte candidata da extrema-direita ao senado e/ou à Presidência da República. Assim, sinteticamente, é possível afirmar que Janja da Silva, que se declara publicamente como feminista, concentra-se em uma atuação contundente no setor político, sem invocar para si a ideia de maternidade pública, ainda bastante presente e recorrente nas falas de suas duas antecessoras diretas. No entanto, na análise e no trabalho completo, demonstraremos que mesmo essa atuação ainda carrega fortes representações consolidadas de gênero quanto aos papéis femininos. Referências Citadas DOSSE, François. História do Tempo Presente e Historiografia. In: LAPUENTE, Rafael Saraiva; GANSTER, Rafael; ORBEN, Tiago Araújo (orgs.). Diálogos do Tempo Presente: Historiografia e História. Porto Alegre: Editora F, 2017. FREIRE, Maria Martha L. Mulheres, mães e médicos: discurso maternalista no Brasil. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009. MARTINS, Ana Paulo V. Gênero e assistência: considerações histórico-conceituais sobre práticas e políticas assistenciais. História, Ciências e Saúde – Manguinhos, V.18, supl.1, dez.2011, p.15-34. MOTT, Maria Lúcia. Maternalismo, políticas públicas e benemerência no Brasil (1930 – 1945). Cadernos Pagu (16) 2001: pp. 199-234. SILVA, Bruno S. M. Assistência à saúde na trajetória da primeira-dama Sarah Kubitschek. Anais Eletrônicos do 2º Encontro Internacional História & Parcerias, 2019. Disponível em: https://www.historiaeparcerias2019.rj.anpuh.org/resources/anais/ SIMILI, Ivana. Mulher e política: a trajetória da primeira-dama Darcy Vargas (1930-1945). São Paulo: Edunesp - Editora da Unesp, 2008.
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