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Participação comunitária na construção do destino turístico Île-à-Vache: inclusão ou exclusão?
Maxo St Victor.
XIII CONECOTUR - Congresso Nacional de Ecoturismo e IX ECOUC. Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2025.
  ARK: https://n2t.net/ark:/13683/pxZC/28z
Resumen
O presente artigo analisa criticamente o papel da comunidade local na construção do destino turístico da Île-à-Vache, no sul do Haiti, a partir da pergunta central: a população local tem sido, de fato, protagonista no desenvolvimento do projeto turístico da ilha? O estudo parte da constatação de que, embora o discurso oficial valorize a participação comunitária como componente essencial do desenvolvimento sustentável e inclusivo, na prática, os mecanismos de envolvimento popular permanecem, em grande parte, restritos a formas simbólicas de consulta, sem que haja uma efetiva transferência de poder decisório às populações diretamente afetadas. Para investigar essa problemática, foi adotada uma metodologia qualitativa, baseada na análise crítica de documentos oficiais relacionados ao projeto turístico da Île-à-Vache, complementada por entrevistas com moradores locais. Essa abordagem permitiu confrontar o discurso institucional com as percepções e experiências da população, revelando uma discrepância significativa entre a narrativa do governo e a realidade vivida pelos habitantes da ilha. A hipótese que orienta a pesquisa é a de que a participação da comunidade local no processo de desenvolvimento turístico tem se limitado a ações superficiais de consulta, sem que haja espaço real para a deliberação coletiva ou o controle social sobre as decisões estratégicas. Assim, os processos participativos observados tendem a reproduzir relações de poder desiguais, mantendo a população em posição de subalternidade frente às autoridades públicas e investidores privados. O referencial teórico que sustenta esta análise apoia-se na tipologia da participação proposta por Arnstein (1969), especialmente na metáfora da “escada da participação”, que distingue entre níveis de participação simbólica e efetiva. Complementarmente, são mobilizados os aportes de Chambers (1997), que enfatiza a importância do empoderamento e da inversão das relações de poder no planejamento participativo. Ao final, o artigo busca contribuir para o debate sobre turismo, poder e inclusão social em contextos periféricos, como o haitiano, propondo uma reflexão crítica sobre os limites e possibilidades da participação comunitária em projetos de desenvolvimento que, muitas vezes, se apresentam como emancipatórios, mas que, na prática, reforçam estruturas excludentes. O caso da Île-à-Vache revela, portanto, a urgência de repensar os modelos de governança turística, de forma a garantir uma participação cidadã genuína, baseada na escuta ativa, na corresponsabilidade e na justiça social.
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