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Participação comunitária na construção do destino turístico Île-à-Vache: inclusão ou exclusão?
Maxo St Victor.
XIII CONECOTUR - Congresso Nacional de Ecoturismo e IX ECOUC. Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2025.
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https://www.aacademica.org/maxo.st.victor/40
Resumen
O presente artigo analisa criticamente o papel da comunidade
local na construção do destino turístico da Île-à-Vache, no sul do Haiti, a
partir da pergunta central: a população local tem sido, de fato, protagonista
no desenvolvimento do projeto turístico da ilha? O estudo parte da
constatação de que, embora o discurso oficial valorize a participação
comunitária como componente essencial do desenvolvimento sustentável e
inclusivo, na prática, os mecanismos de envolvimento popular permanecem,
em grande parte, restritos a formas simbólicas de consulta, sem que haja
uma efetiva transferência de poder decisório às populações diretamente
afetadas. Para investigar essa problemática, foi adotada uma metodologia
qualitativa, baseada na análise crítica de documentos oficiais relacionados
ao projeto turístico da Île-à-Vache, complementada por entrevistas com
moradores locais. Essa abordagem permitiu confrontar o discurso
institucional com as percepções e experiências da população, revelando
uma discrepância significativa entre a narrativa do governo e a realidade
vivida pelos habitantes da ilha. A hipótese que orienta a pesquisa é a de que
a participação da comunidade local no processo de desenvolvimento
turístico tem se limitado a ações superficiais de consulta, sem que haja
espaço real para a deliberação coletiva ou o controle social sobre as
decisões estratégicas. Assim, os processos participativos observados
tendem a reproduzir relações de poder desiguais, mantendo a população em
posição de subalternidade frente às autoridades públicas e investidores
privados. O referencial teórico que sustenta esta análise apoia-se na
tipologia da participação proposta por Arnstein (1969), especialmente na
metáfora da “escada da participação”, que distingue entre níveis de
participação simbólica e efetiva. Complementarmente, são mobilizados os
aportes de Chambers (1997), que enfatiza a importância do empoderamento
e da inversão das relações de poder no planejamento participativo. Ao final,
o artigo busca contribuir para o debate sobre turismo, poder e inclusão social
em contextos periféricos, como o haitiano, propondo uma reflexão crítica
sobre os limites e possibilidades da participação comunitária em projetos de
desenvolvimento que, muitas vezes, se apresentam como emancipatórios,
mas que, na prática, reforçam estruturas excludentes. O caso da Île-à-Vache
revela, portanto, a urgência de repensar os modelos de governança turística,
de forma a garantir uma participação cidadã genuína, baseada na escuta
ativa, na corresponsabilidade e na justiça social.
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